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Voltar ao índiceProtocolo clínico

Gastrointestinais

Gastroenterocolite aguda

Diarreia aguda tipicamente marcada por 3 ou mais episódios evacuatórios por dia, com duração inferior a 14 dias. A grande maioria dos casos é infecciosa e autolimitada.

Diagnóstico

Critérios clínicos

  • 1Define-se gastroenterocolite aguda como aumento na frequência e quantidade das evacuações ou diminuição da consistência das fezes.
  • 2Pode ocorrer com ou sem sintomas gástricos, como náuseas e vômitos, e é tipicamente marcada por 3 ou mais episódios evacuatórios por dia, com duração dos sintomas inferior a 14 dias.
  • 3A grande maioria dos casos de diarreia aguda é infecciosa e autolimitada. As principais causas são: vírus (norovírus, rotavírus, adenovírus, astrovírus e outros), bactérias (Salmonella, Campylobacter, Shigella, Escherichia coli, Clostridioides difficile e outros) e protozoários (Cryptosporidium, Giardia, Cyclospora, Entamoeba e outros).
  • 4Na avaliação de pacientes com gastroenterocolite aguda, deve-se investigar ativamente a presença de sinais de gravidade, como sangue ou muco nas fezes, febre elevada, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, perda de peso ou manifestações neurológicas.
  • 5É fundamental questionar sobre fatores de risco, incluindo uso recente de antimicrobianos, internações nos últimos três meses, exposição a água ou alimentos potencialmente contaminados, ocorrência de casos semelhantes no domicílio ou instituições e viagens recentes para áreas endêmicas.
  • 6O diagnóstico é CLÍNICO e o principal objetivo do tratamento é prevenir a desidratação ou reidratar adequadamente.
  • 7NÃO é necessário antimicrobiano para a maioria dos casos, mesmo que a etiologia seja bacteriana.
  • 8A maior parte dos episódios de gastroenterocolite é tratada empiricamente, sem identificação do agente causador, dado seu caráter autolimitado. Quando há necessidade de definição etiológica e terapia específica, trata-se geralmente de casos graves ou complicados, devendo ser conduzidos em ambiente hospitalar.
  • 9O benefício do uso de probióticos na gastroenterocolite aguda é discreto (redução da duração dos sintomas em algumas horas), não justificando o uso sistemático.

Antimicrobianos na prática clínica

Fluxograma de decisão

Adaptado para a web a partir do fluxograma clínico da gastroenterocolite aguda.

Quadro grave

Quadro grave

Febre > 38,5°C persistente

Sinais e sintomas de hipovolemia ou desidratação

≥ 8 episódios de fezes amolecidas nas 24 horas

Fezes com sangue

Alto risco de gravidade

Alto risco de gravidade

Idade ≥ 70 anos

Comorbidades graves, como cardiopatias ou imunossupressão, incluindo HIV avançado

Doença inflamatória intestinal

Gravidez

Duração da diarreia > 7 dias

Duração da diarreia > 7 dias

Persistência do quadro por mais de 7 dias

Se qualquer critério abaixo estiver presente, siga a coluna "Sim".

Sim

Iniciar antimicrobiano empírico conforme tabela abaixo.

Considerar encaminhamento para emergência.

Hidratação

Oral ou endovenosa.

Sintomáticos

Antieméticos e analgésicos.

Evitar antidiarreicos.

Dieta

De acordo com a aceitação.

*Consultar antieméticos e analgésicos disponíveis na rede. Consulte o Anexo I.

Não

Sem indicação de antimicrobiano empírico.

Sem indicação de coprocultura.

Hidratação

Oral ou endovenosa.

Sintomáticos

Antieméticos e analgésicos.

Evitar antidiarreicos.

Dieta

De acordo com a aceitação.

Conduta

Esquemas terapêuticos

Esquemas organizados por primeira linha e alternativas, mantendo dose, intervalo e duração visíveis.

Farmacoterapia

Primeira linha

Primeira opção — indicação de antimicrobiano empírico

Azitromicina

via oral (VO)
Dose
Adulto: 500mg
Criança: 10-12mg/kg/dia no primeiro dia (1x/dia), seguido de 5-6mg/kg/dia por 2 dias
Intervalo
1 vez ao dia
Duração
3 dias

Primeira opção — indicação de antimicrobiano empírico

Ciprofloxacino

via oral (VO)
Dose
Adulto: 500mg
Criança: 20mg/kg/dia dividido de 12/12h
Intervalo
de 12 em 12 horas
Duração
3-5 dias

Contexto

Situações especiais

Quando iniciar antimicrobiano empírico (SIM)

Iniciar antimicrobiano empírico conforme tabela quando presentes: quadro grave (febre > 38,5°C persistente, sinais de hipovolemia/desidratação, ≥ 8 episódios de fezes amolecidas em 24h, fezes com sangue) OU alto risco de gravidade (idade ≥ 70 anos, comorbidades graves como cardiopatias/imunossuprimidos incluindo HIV avançada, doença inflamatória intestinal, gravidez) OU duração da diarreia > 7 dias. Considerar encaminhar para emergência. Hidratação oral ou endovenosa. Sintomáticos: antieméticos e analgésicos. Evitar antidiarreicos. Dieta de acordo com a aceitação. Consulte antieméticos e analgésicos disponíveis na rede (Anexo I).

Quando NÃO iniciar antimicrobiano empírico (NÃO)

SEM INDICAÇÃO DE ANTIMICROBIANO EMPÍRICO. SEM INDICAÇÃO DE COPROCULTURA. Hidratação oral ou endovenosa. Sintomáticos: antieméticos e analgésicos. Evitar antidiarreicos. Dieta de acordo com a aceitação.

Probióticos

O benefício do uso de probióticos na gastroenterocolite aguda é discreto (redução da duração dos sintomas em algumas horas), não justificando o uso sistemático.

Material de apoio

Materiais e referências

Acesso rápido a downloads offline e links institucionais/oficiais para apoio complementar durante a consulta.

8 recursos disponívels

Secretaria da Saúde do Ceará

PDF

Guia Antimicrobiano na Prática Clínica

Arquivo-base da Secretaria da Saúde do Ceará para consulta offline em PDF.

Arquivo

guia-antimicrobiano-pratica-clinica-ce.pdf

World Health Organization

PDF

WHO AMR Methodology Sheets

Material complementar da OMS com folhas metodológicas para monitoramento e avaliação em resistência antimicrobiana.

Arquivo

who-amr-methodology-sheets.pdf

ILAS

Site oficial

Instituto Latino-Americano de Sepse

Protocolos, bundles e materiais de implementação para sepse e choque séptico.

BrCAST

Site oficial

Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing

Pontos de corte e recomendações nacionais para testes de sensibilidade aos antimicrobianos.

EUCAST

Site oficial

European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing

Breakpoints, tabelas e metodologia de referência para interpretação microbiológica.

CLSI

Site oficial

Clinical and Laboratory Standards Institute

Standards laboratoriais e documentos técnicos aplicados à microbiologia clínica.

CAMO-Net

Site oficial

Collaborative for Antimicrobial Optimisation Network

Rede colaborativa global com especialistas, eventos e materiais voltados ao enfrentamento da resistência antimicrobiana.

ANVISA

Site oficial

Manuais de Microbiologia Clínica

Publicações oficiais da ANVISA para apoio técnico em microbiologia clínica nos serviços de saúde.

Evidência complementar

Artigos sugeridos no PubMed

Selecionados pelo contexto clínico, priorizando periódicos de maior impacto e tipos de publicação com evidência mais forte.